Redes Sociais – Vilãs ou Mocinhas?

jan 31, 2016   //   by jaqueline   //   Textos  //  1 Comment

Nos últimos dias o assunto “Redes Sociais” tem me intrigado bastante e claro, me pus a refletir para tentar encontrar algumas respostas… Pura ilusão, pois concluo minha reflexão com muitas perguntas, algumas opiniões (que sinceramente podem mudar até o fim deste post) e poucas, muito poucas respostas.

Podemos considerar que as redes sociais representam o principal canal de comunicação da atualidade. Através das redes é possível estar conectado com tudo o que acontece e também disseminar informações de forma muito rápida. Segundo o site FOLHA.com, apenas o Facebook possui 721 milhões de usuários, o que é equivalente a mais de um décimo da população mundial.

Existem inúmeras redes disponíveis e entre as mais conhecidas estão o Facebook, Twitter, Linkedin, Foursquare e ainda a grande novidade do momento: redes sociais específicas para quem quer “pular a cerca”, estas com promessas de encontrar amantes “discretos” para os que são cadastrados.

Muitas campanhas estão sendo estruturadas e divulgadas através das redes sociais, estas promovidas pelo Estado, por instituições privadas, por instituições de caridade e auxílio aos mais necessitados e por nós, cidadãos comuns. E é sobre “nós” que gostaria de refletir: Como nós estamos utilizando essas redes? É possível encontrar um equilíbrio entre o que há de bom e ruim?

As redes sociais nos apresentam um mundo de possibilidades: sabemos de tudo, encontramos pessoas de vários lugares, conversamos com pessoas que foram importantes em algum momento da vida e com pessoas que são as mais importantes no momento atual, divulgamos tudo que gostamos de fazer, onde estamos, com quem estamos e por aí vai.

E assim as perguntas começam: Será que faríamos tanta coisa, iríamos a tantos lugares, estaríamos com tanta gente se não tivéssemos a oportunidade de “mostrar” isso para as pessoas? O que é mais interessante: assistir um filme em casa comendo pipoca no sofá ou sair mesmo que sem muita vontade para enfrentar o trânsito, o shopping lotado, as imensas filas para ter “aquele” prazer de fazer o check-in no Foursquare e compartilhar com nossos “amigos” pelo Twitter e Facebook? Qual dessas opções nos torna uma pessoa interessante? Estamos vivendo e fazendo o que achamos legal e interessante para nós ou primeiro pensamos no que as outras pessoas achariam interessante e legal? Estamos aproveitando ao máximo nossos encontros, passeios e compromissos presenciais ou precisamos sempre nos ausentar ou acabar mais rápido para dar uma passadinha nas redes e contar pra todo mundo o que estamos fazendo?

E agora entro em questões ainda mais complexas: Até que ponto as redes sociais estão influenciando e impactando nossas relações afetivas, as de verdade, aquelas “olho no olho”, lembram?

Nós seres humanos somos insaciáveis (Graças a Deus!!!) e queremos sempre mais e acredito que esse é um dos motivos de tantas pessoas simplesmente não conseguirem mais viver sem as redes, pois é inquestionável que nelas o canal de informação e de “possibilidades” é imenso e isso muito nos atrai.

Mais uma questão: Estamos investindo tempo o bastante para cultivar nossos relacionamentos na “vida real” ou estamos priorizando relações virtuais e deixando a vida passar? E neste momento viajo totalmente em meus questionamentos e faço a pergunta que considero a mais intrigante deste post: E se nossos melhores relacionamentos, nossas melhores experiências ainda não aconteceram? E se as redes sociais possibilitarem que encontremos os verdadeiros amigos, os verdadeiros irmãos, o verdadeiro amor? Estamos realmente deixando a vida passar? Breve silêncio… … …

O fato é que não podemos deixar de nos intrigar e, principalmente de sermos cuidadosos e criteriosos com essa nova realidade que se apresenta. Temos de questionar, analisar e aprender a conviver com elas. Precisamos encontrar o equilíbrio e utilizar as redes sociais como aliadas, tanto para nossos interesses profissionais quanto para interesses pessoais.

É comum percebermos que pessoas têm problemas tanto na vida pessoal quanto profissional e até com fatos que comprometem sua segurança por conta de informações que são lançadas nas redes e isso nos motiva ainda mais a pensar no quanto estamos preparados para utilizar e participar dessa “brincadeira”.

Ao desenvolver este texto acabei lembrando do “Mito da Caverna” do livro “A República” de Platão (depois leiam), e me vem mais uma questão: Estaríamos expostos à luz ao abrirmos nossas vidas nas redes e esse é um caminho sem volta ou seria o contrário? Será que em alguns aspectos não seria melhor continuar na caverna à sombra do que conhecemos?

Eu sei, este post está virando algo que nem Freud* explica, então para finalizar gostaria de citar o guru da Administração Peter Drucker que diz: ”Nunca tivemos tantas opções para decidir nosso destino. Nenhuma escolha será boa, porém, se não soubermos quem somos”.

Não adianta termos tantas opções ou sabermos de tanta coisa se não soubermos quem realmente somos. E aí está o verdadeiro X da questão: Nós realmente nos conhecemos? Sabemos o que realmente ansiamos? Estamos trilhando o caminho que escolhemos ou algum caminho que escolheram por nós?

Penso que as redes sociais e todas as informações e possibilidades por elas disseminadas são apenas ferramentas que nós podemos ou não utilizar de acordo com nossas vontades e necessidades. O que irá determinar o quanto isso irá nos afetar é exatamente o quanto conhecemos de nós mesmos. E se as redes estão nos motivando a pensar sobre a vida e promovendo nosso crescimento como seres humanos, que saibamos utilizar o que de melhor elas têm a nos oferecer.

“Pela primeira vez, literalmente pela primeira vez, um número substancial e crescente de pessoas tem a possibilidade de fazer escolhas. Pela primeira vez, as pessoas terão de administrar a si próprias. E é preciso que se diga uma coisa: elas estão totalmente despreparadas para isso. Peter Drucker.

 

* Sigmund Freud – O pai da Psicanálise

 

Grande Abraço e Sejamos Felizes!!

1 Comment

  • Muito bom… realmente existe a dificuldade de separar o real do virtual… Parabéns pelo post…

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